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Gestor da Amapá Previdência é investigado por mentir sobre cargo para garantir R$ 10 milhões ao Carnaval

Jocildo Lemos, ex-presidente da Amprev e da liga de escolas de samba do Amapá, está sob investigação por suposta improbidade administrativa e conflito de interesses envolvendo patrocínio estadual.

21/10/2026 às 04h30

Brasília – Jocildo Silva Lemos, gestor que já presidiu a Amapá Previdência (Amprev) e a Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) por suspeitas relacionadas a improbidade administrativa e conflito de interesses. A apuração gira em torno de um patrocínio de R$ 10 milhões obtido para o Carnaval de 2026 em Macapá.

Documents obtidos pela Folha indicam que Jocildo teria mentido sobre seu cargo na Amprev ao protocolar uma proposta de patrocínio junto à Secretaria de Turismo do Amapá. Em 25 de junho de 2025, ao buscar o aporte, ele se declarou ex-diretor-presidente da Amprev, embora no mesmo dia ainda constasse no cargo conforme publicação oficial.

Além disso, o gestor alegou que a liga das escolas de samba não possuía entre seus dirigentes servidores da administração pública estadual, requisito legal para a celebração do termo de colaboração estadual. No entanto, Jocildo acumulava os cargos nos dois órgãos, contrariando dispositivo legal que veda parcerias entre o governo e entidades da sociedade civil com dirigentes que igualmente ocupem cargos públicos na mesma esfera administrativa.

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O patrocínio foi aprovado pelo comitê estadual formado por secretários estaduais em 2 de julho de 2025 e o contrato assinado em 31 de julho do mesmo ano. Apesar da liberação dos recursos e realização do evento, as denúncias levaram à instauração do inquérito civil público pelo MP-AP.

Jocildo estava no centro de outra controvérsia, relacionada à destinação de aproximadamente R$ 400 milhões de recursos de servidores aposentados em letras financeiras consideradas irrecuperáveis do Banco Master. Ele presidiu o comitê de investimentos da Amprev e o Conselho Estadual de Previdência, deliberando sobre o caso mesmo enquanto buscava os recursos para o Carnaval.

Nomeado para a direção da Amprev pelo governador Clécio Luís (União), a indicação foi intermediada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), a quem Jocildo foi tesoureiro de campanha. A gestão estadual afirmou não haver conflito de interesses, destacando que o convênio foi firmado com o governo e não com a Amprev, sustentando a legalidade da aplicação dos recursos.

Representantes do governo do Amapá e do senador Alcolumbre não responderam até o momento aos questionamentos da reportagem.

Jocildo pediu demissão da presidência da Amprev em fevereiro de 2026, após operação da PF que cumpriu mandados de busca e indicou seu papel central na condução das decisões controversas sobre os investimentos no Banco Master. No entanto, ele permanece na presidência da Liesap.

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